(nem sei se as notas de pé de página vão aparecer direito, estou indo só no control c control v)
Se alguém quiser o arquivo, pode me mandar um e-mail: breno_k arroba yahoo ponto com (sem br)
- Entreguei o texto em agosto (eu acho, não lembro de datas com precisão) mas parece que demora UM ANO para a ufmg mandar o diploma e botar o texto online.
- Não tive tempo (dado o cronograma) de mandar para uma revisão profissional do texto. Se você achar algum erro de revisão, não precisa avisar, se isto algum dia sair em livro vai ter alguém sendo pago para procurar erro de digitação, de revisão, etc.
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Minha dissertação é sobre como a literatura brasileira durante a ditadura ficou viciada em denúncia ultrajada e com o fim da ditadura acabou o assunto principal e passamos duas décadas (anos 80 e 90) praticamente sem produção de qualidade. A meu ver, este engajamento literário e seu fracasso (ninguém vai dizer que a ditadura acabou por causa de um romance, ou de um filme, ou etc) foi um verdadeiro ponto de quebra na literatura brasileira, que pode ser dividida (em seu "eixo principal") como antes e depois da ditadura. Por isto tanto autor jovem no Brasil que não se identifica com a literatura brasileira como um todo e tanto crítico velho que fala mal da produção nova por não seguir os "caminhos narrativos" já consagrados.
Existe o resumo acadêmico, formal, da coisa, mas o melhor resumo é esta citação do Sérgio Sant'Anna, do Um Romance de Geração:
“talvez
não tenha havido uma época tão fértil, pelo menos quantitativamente, quanto
esses quinze anos pós 64 (...) Mas por que essa fertilidade, ponto de
interrogação? Não seria porque os escritores (...) teriam encontrado na
ditadura um excelente ponto de referência, ponto de interrogação e parágrafo?
(...) Tínhamos algo contra o que lutar, sem muito risco, e os melhores motivos,
ponto. (...) a relação entre a ditadura e a literatura talvez tenha sido como
um jogo de gato e rato, ponto. Sem o gato o jogo não poderia continuar, para a
tristeza do rato. (...) Nós talvez passemos a ser conhecidos como os “Órfãos da
Ditadura” (...) quantas pessoas eu vi pelos bares falando de Herzog como quem
fala de um artista famoso (...) entre o Wladimir Herzog que foi morto numa cela
do Exército e aquele que aparecia em nossos livros havia uma diferença de grau
e substância, ponto. Este último era apenas o personagem que nós, os
escritores, precisávamos para manter acesa a “nossa chama”, a “nossa fogueira”,
o JOGO, em maiúsculas”. (1981, p. 65)
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Eis:
SUMÁRIO
Introdução–10
PRIMEIRA PARTE –Pressupostos:
Um sistema, um histórico: uma herança–20
Capítulo 1 – A
literatura como sistema -20
Capítulo 2 – Um
histórico: Nacionalismo(o lugar e o dever do escritor) – 30
2.1 –Arcadismo: um início de
consciência do lugar de fala– 35
2.2 – Romantismo: o nacionalismo
protagonista– 37
2.2.1 – O Caso Machado: Instinto de
Literatura.– 49
2.3 – Belle Époque - 55
2.4 – Os Modernismos - 61
Capítulo 3 – Por
Que tanto Brasil?,ou a obsessão de um sistema.– 71
SEGUNDA PARTE–
Ditadura e cultura– 82
Capítulo 4 – Ponto
de partida – 82
4.1
– A cultura e a literatura nos anos ditatoriais – 83
4.2
– Antonio Callado – 92
Capítulo 5 – Da
censura –97
Capítulo 6 –Problemáticas
da resistência anti-ditadura– 114
6.1
– O “vazio cultural” e a solução mágica– 114
6.2
– Gavetas vazias e a necessidade do vilão – 118
Capítulo 7 –
Dois romances, dois caminhos: A Festa e Confissões de Ralfo–140
Capítulo 8 –O ápice
e fim do empenho nacionalista na literatura brasileira –175
8.1–Armadilhas
do nacionalismo - 175
8.2
Consequências: literatura brasileira
de ontem, literatura brasileira de hoje- 184
Conclusão - 198
Bibliografia -
205
“Achar que uma coisa é ruim, não é duvidar dela, mas
afirmá-la”
Machado de Assis, em Crônica de despedida de “A
Semana”, 1897
“Preciso de ti. Sem ti, como acreditar que sem ti
poderia começar uma vida nova? Acreditar que sem ti poderia renascer, que só tu
impedes que eu possa renascer é muito importante para mim...; és o meu
fascismo!”
Bolor, romance do português Augusto Abelaira, 1968
“Antes era mais fácil – sim, porque era
Mais difícil, havia mais em jogo,
E o tempo todo se jogava à vera.
Precisamente: mais difícil, logo
Mais fácil. Porque sempre se sabia
de que lado
se estava- havia lados,
então. E a certeza de que algum dia
tudo teria um significado.
E nós seríamos os responsáveis
por dar nomes aos bois. Havia bois
a nomear, então. Coisas palpáveis.
Tudo teria solução depois.
(...)”
“Pós”, de Paulo Henriques Britto, 2012.