sábado, 11 de outubro de 2014

Why we write - Robert Coover

Acabou de chegar minha cópia do Public Burning. Ainda não comecei a ler, mas bundeando pela internet encontrei este parágrafo aqui que deu vontade de largar tudo que eu estou lendo para atacar logo a obra desse cara. Por que eu esperei tanto tempo para ir atrás dele?:


“Why we write.

Because art blows life into the lifeless, death into the deathless. Because art's lie is preferable, in truth, to life's beautiful terror. Because as time does not pass (nothing, as Beckett tells us, passes) it passes the time. Because Death, our mirthless master, is somehow amused by epitaphs. Because epitaphs well struck give Death, our voracious master, heartburn. Because fiction imitates life's beauty, thereby inventing the beauty life lacks. Because fiction is the best position, at once exotic and familiar, for fucking the world. Because fiction, mediating paradox, celebrates it. Because fiction, mothered by love, loves love as a mother might her unloving child. Because fiction speaks, hopelessly, beautifully, as the world speaks. Because God, created in the storyteller's image, can be destroyed only by its maker. Because in its perversity, art harmonizes the disharmonious, and because in its profanity, fiction sanctifies life. Because, in its terrible isolation, writing is a path to brotherhood. Because in the beginning was the gesture and in the end the come, as well in between what we have are words. Because of all arts, only fiction can unmake the myths that unman men. Because of its endearing futility, its outrageous pretentions. Because the pen, though short, casts a long shadow upon (it must be said) no surface. Because the world is reinvented every day and this is how it is done. Because there is nothing new under the sun except its expression. Because truth, that illusive joker, hides himself in fictions and must therefore be sought there. Because writing, in all spaces unimaginable vastness, is still the greatest adventure of all. And because, alas, what else?”


Alguns minutos de um sábado de manhã:
"Alguns minutos da manhã de sábado: Por que escrevemos. Porque arte sopra vida naquilo que não tem vida, morte naquilo que não tem morte. Porque a mentira da arte é preferível, na verdade, ao belíssimo terror da vida. Porque da maneira que o tempo não passa (nada, como nos diz Beckett, passa) ela faz passar o tempo. Porque a Morte, nosso mestre desalegre, de alguma forma se diverte com epitáfios. Porque bem epitáfios bem atingidos dão à Morte, nosso mestre voraz, azia. Porque ficção imita a beleza da vida, assim inventando a beleza que faz falta na vida. Porque ficção é a melhor posição, ao mesmo tempo exótica e familiar, para foder o mundo. Porque ficção, mediando paradoxo, celebra-o. Porque a ficção, parida e criada amorosamente, ama o amor como uma mãe poderia amar um filho desamoroso. Porque a ficção fala, sem esperança, belissimamente, como o mundo fala. Porque Deus, criado à imagem do contador de histórias, pode ser destruído apenas pelo seu criador. Porque em sua perversidade, arte harmoniza o desarmonioso, e porque em sua profanação, a ficção santifica a vida. Porque, em seu isolamento terrível, a escrita é um caminho à irmandade. Porque no início havia o gesto e no fim vindouro, assim como no que há entre os dois o que temos são palavras. Porque de todas as artes, apenas a ficção pode desfazer os mitos de desumanizam humanos. Por causa de sua futilidade cativante, suas pretensões escandalosas. Porque a caneta, ainda que curta, projeta uma longa sombra por cima de (devemos dizer) superfície nenhuma. Porque o mundo é reinventado todos os dias e é assim que ele se faz. Porque não há nada de novo embaixo do sol exceto sua expressão. Porque a verdade, este coringa enganador, se esconde em ficções e assim é lá onde deve ser procurado . Porque escrever, em todos os espaços de vastidão inimaginável, é ainda a maior aventura de todas. E porque, ai, o que mais?"

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O romance ainda está progredindo. Página 460, no momento. Espero conseguir terminar um primeiro rascunho completo antes do final do ano. Botei na cabeça também que na próxima semana vou traduzir um capítulo do Infinite Jest, como exercício/homenagem (o trecho em que o pai do Jim fala com ele da importância de saber lidar com objetos).

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